Editorias / Política
Mágica nas notas: vereador denuncia manobra para derrubar 1º lugar e entregar vaga a comissionado
Investiga ms Wendell Reis
Um processo seletivo para a contratação de engenheiros virou alvo de denúncia no Ministério Público Estadual (MPMS) sob a acusação de ser um “jogo de cartas marcadas” na Prefeitura de Camapuã.
O vereador Nilcilei Pereira, o Nilcilei Dog (PSD), protocolou representação acusando a Comissão Organizadora de manipular as notas finais para favorecer servidores comissionados em detrimento de profissionais que entraram na disputa de forma independente.
A denúncia foi registrada no dia 15 de janeiro. Segundo o documento, o candidato Ronaldo Lopes, que liderava a disputa com 74 pontos, teve sua nota subitamente rebaixada, perdendo 24 pontos sem uma justificativa plausível no edital.
Enquanto a nota do líder derretia, a pontuação dos amigos da casa disparava. A denúncia aponta que o servidor comissionado Ítalo Pereira da Cruz viu sua nota saltar de 50 para 86 pontos, manobra que lhe garantiu a primeira colocação. Outra servidora, Adriane Rodrigues Faustino, também teve um “upgrade”, subindo de 50 para 72 pontos.
Para operar essa mudança, a prefeitura teria utilizado um “critério secreto” e, segundo o vereador, ilegal. A comissão aceitou Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) assinadas pela própria prefeitura para pontuar o candidato Ítalo, uma exigência que não constava no edital, impedindo que os demais concorrentes apresentassem documentação similar.
O parlamentar aponta ainda uma grave contradição: entre 2022 e 2025, Ítalo ocupou cargos administrativos de direção. Se ele estava em função de chefia administrativa, a apresentação de ARTs de execução técnica poderia configurar desvio de função ou fraude documental.
O caso expõe a precariedade das contratações em Camapuã. O município não realiza concurso público há cinco anos, optando por manter a máquina rodando à base de contratos temporários e comissionados, o que facilita esse tipo de manobra.
Na representação, o vereador pede que o MP exija a anulação da classificação, investigue os envolvidos por improbidade administrativa e obrigue a prefeitura a realizar concurso público urgente para acabar com os processos seletivos suspeitos.
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