Dois empresários da fronteira estão entre alvos por contrabando de peças automotivas

Campo Grande News Helio de Freitas


Dois empresários de Ponta Porã, a 313 km de Campo Grande, na fronteira com o Paraguai, estão entre os investigados na Operação Peça-Chave, deflagrada nesta quinta-feira (27) pela Polícia Federal e Receita Federal para desarticular organização criminosa que atua na aquisição e comercialização de peças automotivas estrangeiras introduzidas irregularmente no Brasil.

O grupo também é suspeito de lavagem do dinheiro ilícito através de empresas de fachada e até de compra de obras de arte.

O Campo Grande News apurou que agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em lojas e depósitos ligados aos dois empresários de Ponta Porã. Eles são apontados como operadores do esquema.

Além de Ponta Porã, a operação cumpre mandados em São Paulo (SP), Santo André (SP) e São Bernardo do Campo (SP), todos expedidos pela 5ª Vara Federal de Campo Grande. A decisão judicial também autorizou a apreensão de drogas, armas, joias, obras de arte, bens de alto valor agregado e dinheiro em espécie sem origem claramente comprovada, em quantia superior a R$ 5.000,00.

As investigações são conduzidas pela Delegacia da Polícia Federal em Ponta Porã. Grandes carregamentos de peças, principalmente para veículos de marcas como BMW, Mercedes-Benz e Smart, eram importadas até o Paraguai e de lá trazidas para o Brasil sem o recolhimento de tributos alfandegários obrigatórios.

A principal porta de entra no território brasileiro é Ponta Porã, de onde as peças eram transportadas via terrestre até o estado de São Paulo e vendidas em autopeças na capital paulista, em Santo André e São Bernardo do Campo. Esses estabelecimentos foram alvos das buscas na operação de hoje.

De acordo com os investigadores, os produtos clandestinos eram comercializados nas lojas do esquema como peças legais, só que bem abaixo dos preços da concorrência, pois foram importadas sem recolhimento de impostos.

A artimanha permitia lucro exorbitante para os integrantes da organização. Levantamentos apontam que os envolvidos movimentaram pelo menos R$ 146 milhões entre 2018 e 2023, sem comprovação documental e contábil capaz de justificar a origem e a destinação do dinheiro.

Conforme o comando da operação, as investigações identificaram movimentações financeiras atípicas e saques elevados em espécie em agências bancárias na região de fronteira, o que levantou suspeição quanto à origem dos recursos. O dinheiro teria sido usado para pagamento à vista das cargas.

Além da distribuição de peças automotivas importadas ilegalmente, a operação identificou emissão de notas fiscais frias para transporte das cargas, principalmente através das chamadas “noteiras”, empresas criadas especificamente para este fim.

O esquema também utilizava empresas sem capacidade operacional, destinadas apenas à emissão de documentos fiscais para terceiros. As mercadorias eram comercializadas sem registro de entrada nos estoques das empresas investigadas.

O lucro obtido com a sonegação era movimentado através de pessoas sem capacidade econômico-financeira compatível, mas vinculadas aos principais integrantes da organização criminosa. Os nomes dos investigados não foram revelados.


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