Três meses após denúncia de estupro, secretário é exonerado da prefeitura

Investiga Ms Wendell Reis


Jovem de 22 anos registrou um boletim de ocorrência contra o ex-vereador por “estupro de vulnerável”.

O secretário de Juventude, Paulo Lands, foi exonerado da Prefeitura de Campo Grande. A saída, segundo Diário Oficial, a pedido, ocorre três meses após o nome dele ser envolvido em escândalo sexual.

“ADRIANE BARBOSA NOGUEIRA LOPES, Prefeita de Campo Grande, no uso das atribuições que lhe confere o art. 67, da Lei Orgânica do Município, resolve: EXONERAR, a pedido, PAULO CÉSAR LANDS FILHO, matrícula n. 388834/39, do cargo de Secretário Executivo da Juventude, da Prefeitura Municipal de Campo Grande, símbolo AGP-2, com efeito a partir de 2 de junho de 2026”, diz a publicação.

Lands pediu afastamento da função após um jovem de 22 anos registrar um boletim de ocorrência contra ele por “estupro de vulnerável”. Na ocasião, a prefeitura informou que abriu um processo administrativo para verificar o que faria. Antes, divulgou uma nota dizendo que nenhuma medida precipitada seria adotada e qualquer providência necessária seria tomada no tempo devido.

O caso 

O jovem relatou que trabalhava na prefeitura e que Lands era seu superior hierárquico, tendo iniciado convivência estritamente profissional. Ele afirma que no mês de julho de 2025 o secretário lhe ofereceu carona até sua residência e durante o trajeto, quando estavam sozinhos no interior do veículo, o autor teria passado a mão nas partes íntimas, causando-lhe constrangimento.

O rapaz diz ainda que não reagiu no momento por receio, em razão da relação de subordinação existente. Segundo o jovem, após o ocorrido, o autor passou a enviar mensagens com figurinhas e conteúdo de conotação sexual, insinuando relacionamento homoafetivo, insistindo mesmo após a vítima afirmar expressamente que não desejava qualquer envolvimento e que seria hetero. 

O homem disse ainda que, no ambiente de trabalho, quando estavam em locais sem a presença de outras pessoas, o autor tocava seu corpo, passava a mão e forçava abraços. 

“Afirma também que o autor proferia frases de cunho sexual, como: Que dia você vai me penetrar, causando-lhe constrangimento e abalo emocional”.

O homem disse ainda que no dia 12/12/2025 ocorreu a confraternização de final de ano da empresa, ocasião em ingeriu muito álcool, ficando em estado de vulnerabilidade.

Segundo o boletim, ao término da confraternização, Lands ofereceu novamente carona à vítima, que afirma estar embriagado, tendo inclusive necessitado de ajuda para ser colocado no interior do veículo do suspeito. 

O jovem diz ainda que o autor voltou a fazer investidas, sugerindo que poderiam “ficar como casal nas férias”. Segundo boletim, diante da negativa da vítima, o autor teria declarado: “Eu consigo qualquer coisa, pois eu sou seu chefe, eu sou secretário da juventude”.

O homem diz que em vez de conduzi-lo à sua residência, o autor levou-o para sua própria casa, informando que mora sozinho. Ao chegarem ao local, segundo a vítima, o autor passou a retirar suas roupas sem seu consentimento e, em seguida, praticou sexo oral.

“A vítima relata que não consegue se recordar de tudo o que aconteceu, pois estava muito embriagado. Ao acordar, percebeu que estava nu na cama com o suspeito, que o abraçava naquele momento. A vítima diz que levantou-se e foi até a cozinha para beber água, tentando compreender o que havia ocorrido. Em seguida, passou a procurar seu celular para solicitar um transporte por aplicativo (Uber)”, diz o boletim.

O jovem diz ainda que após conseguir o que queria, o suspeito passou a manter a vítima sob vigilância no ambiente de trabalho, mas sem enviar mensagens insistentes. 

O rapaz afirma que no dia 16/01/2026 precisou justificar-se ao chefe por estar atrasado e perguntou se ainda poderia comparecer ao serviço. O vereador respondeu que ele deveria ir até sua residência, afirmando que lhe daria carona novamente. 

A vítima relata que foi de transporte por aplicativo (Uber) até a casa do suspeito, com receio de receber falta no serviço. Ao chegar, o suspeito voltou a insistir e o beijou na boca. Ele diz que virou o rosto. Nesse momento, o suspeito passou a elogiar seu peitoral. Em seguida, levou a vítima até o quarto, deitou-o na cama e passou a acariciar seu órgão genital. A vítima afirma que não teve ereção, reiterando que não queria e que ambos estavam atrasados para o trabalho. O suspeito, então, declarou: “Eu sou o secretário e chego a hora que eu quiser, não se preocupe com isso”.

O rapaz diz que hoje foi demitido e ao buscar esclarecimentos do motivo, foi informado de que o secretário teria apresentado reclamações a seu respeito, alegando que ele não obedecia a ordens, era mal-educado e não desempenhava adequadamente suas atividades no trabalho.


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