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MPE aponta que coordenador do tapa-buraco usava filho para receber propina
Investiga Ms Wendell Reis
Filho foi até a casa do pai enquanto Gaeco revirava imóvel para fazer buscas na Operação Buraco Sem Fim.
Relatório apresentado pelo Ministério Público Estadual (MPE) para justificar os mandados de prisão e busca na Operação Buraco Sem Fim apontam que a política terá muito trabalho para desvendar todo o funcionamento do esquema de corrupção que funcionava na Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande.
Na justificativa, o Ministério Público revela que a nova operação é resultado de descobertas feitas na Cascalho de Areia, onde a polícia investiga desvios em contratos de cascalhamento e locação de máquinas que ultrapassam R$ 300 milhões.
No trecho que a reportagem teve acesso, o Gecoc mostra que o coordenador do tapa-buraco, Edivaldo Aquino Pereira, desempenhou um papel vital na organização criminosa ao atuar na operacionalização direta das fraudes e no desvio de recursos públicos.
Segundo o Gecoc, sua função consistia em utilizar o cargo para validar medições fictícias e atestar a execução de serviços que, conforme provado, jamais foram prestados ou eram realizados de forma precária pelas empresas AL DOS SANTOS, ENGENEX e CONSTRUTORA RIAL LTDA.
Os investigadores relatam que Edvaldo atuava como peça-chave na celeridade burocrática do esquema, assinando documentos no lugar de outros supervisores para garantir o fluxo dos desvios, enquanto utilizava seu filho, Thiago Nogueira Pereira, como intermediário para o recebimento de propinas destinadas à cúpula do grupo (fato já denunciado nos autos da ação penal nº 0924238-45.2023.8.12.000, chamada Cascalhos de Areia).
Thiago compareceu na casa do pai no dia que o Gecoc realizava busca e, em seguida, a prisão do pai. Ele chegou a conversar com a imprensa rapidamente, sem entrar em detalhes sobre o caso. Na ocasião, confirmou que o irmão também seria encaminhado para delegacia por conta de entorpecente encontrado na residência.
A reportagem não teve acesso a toda a denúncia, que detalha como funcionava todo o esquema de desvio na prefeitura. Porém, dados obtidos até o momento revelam que o esquema superfaturava serviços, em contratos de mais de R$ 113 milhões.
Relatório técnico, feito na região do Bandeira, por exemplo, constatou evidências de dispêndios vultosos para a manutenção das vias públicas não asfaltadas na Região do Bandeira, apontando que os serviços não foram, de fato, integralmente executados.
Segundo o MPE, inconsistências ignoradas apenas no item analisado poderiam gerar uma economia de R$ 782.770,37 (setecentos e oitenta e dois mil, setecentos e setenta reais e trinta e sete centavos) ao Erário.
O levantamento aponta que o relatório de serviço realizado apontou 4.860.00m, quando na verdade foi executado apenas 156 metros de revestimento primário, o que representa apenas 3,7% deste total.
A investigação revela que no núcleo operacional deste esquema na SISEP, o engenheiro e supervisor MEHDI TALAYEH atuava como o arquiteto das fraudes, determinando pessoalmente que fossem inseridos valores irreais nas planilhas. Sob sua subordinação, o servidor ERIK ANTÔNIO VALADÃO FERREIRA DE PAULA era o executor material das inserções fraudulentas. FERNANDO DE SOUZA OLIVEIRA, por sua vez, desempenhava um papel estratégico e operacional, enquanto servidor público da SISEP, sendo formalmente identificado como Gerente de Controle de Medições.
“Sua atuação era fundamental para a viabilização do esquema de peculato e fraude nas medições dos contratos de manutenção de vias urbanas. A participação de FERNANDO DE SOUZA OLIVEIRA junto ao esquema criminoso restou demonstrada na denúncia oferecida na ação penal nº 092423845.2023.8.12.0001, cabendo pontuar algumas evidências de sua participação, já que ela era o responsável por verificar os saldos remanescentes dos contratos, com o objetivo deliberado de identificar quanto ainda poderia ser desviado do erário municipal. Nesse contexto, MEHDI TALAYEH determinava os valores das medições, enquanto FERNANDO DE SOUZA OLIVEIRA realizava os ajustes necessários para que os valores refletissem o acordo ilícito. Esses ajustes eram feitos sempre com as instruções de RUDI FIORESE, garantindo que as medições preestabelecidas fossem cumpridas. Diálogos contidos no Relatório de Informação nº 003/2024/NUCIB revelaram que, além de fixarem os valores arbitrariamente, os envolvidos utilizavam outras regiões como mecanismo de complementação de medição, de forma a justificar os valores inflacionados. Esse expediente permitia o desvio de recursos públicos com a participação de todos os envolvidos”.
Cascalho de Areia
Na Cascalho de Areia, o Ministério Público denunciou 12 pessoas por peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro: ANDRÉ LUIZ DOS SANTOS, JULIANA PERES VILLALBA, MAMED DIB RAHIM, EDCARLOS JESUS DA SILVA, PAULO HENRIQUE SILVA MACIEL, ARIEL DITTMAR RAGHIANT, PATRÍCIA DA SILVA LEITE, MEHDI TALAYEH, EDIVALDO AQUINO PEREIRA, ERIK ANTÔNIO VALADÃO FERREIRA DE PAULA, FERNANDO DE SOUZA OLIVEIRA e RUDI FIORESE.
Uma boa parte destes denunciados foi presa na Operação Buraco Sem Fim. Quatro deles, continuaram na Prefeitura de Campo Grande, mesmo após a denúncia: Fernando de Souza, Erik Antônio Valadão, Edvaldo Aquino e Mehdi Talayeh. Apenas Rudi Fiorese deixou a gestão e passou a atuar no Governo do Estado.
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