Relatório da CPMI do INSS registrará fatos de fraude mesmo sem aprovação, diz Tereza Cristina

Midia Max Vinicios Araujo


Apesar da interrupção dos trabalhos da CPMI do INSS após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar a prorrogação da comissão, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) ressaltou que o documento final produzido pelo relator terá um papel fundamental na exposição das irregularidades identificadas desde agosto de 2025.

A parlamentar considerou a decisão dos ministros como uma “decepção”. Ela defendeu que o colegiado necessitava de ao menos 60 dias adicionais para aprofundar as investigações sobre o sistema de empréstimos consignados, que afetou aposentados e pensionistas brasileiros.

“Nós ainda temos o relatório, o relator é uma pessoa muito competente, honesta, preparado para isso, porque ele é um promotor público. E agora nós precisamos esperar votar esse relatório, que dificilmente será aprovado na comissão, porque a base do governo tem maioria, mas, com o relatório lido, a sociedade brasileira vai poder ter os esclarecimentos que ela precisa sobre o que foi essa fraude terrível”, afirmou a senadora.

Avaliação dos resultados e obstrução política

Para a parlamentar, o encerramento precoce impediu que a comissão avançasse sobre o sistema financeiro e identificasse falhas estruturais que permitem fraudes contra aposentados.

Tereza Cristina apontou a existência de uma “blindagem” por parte do Governo Federal para evitar a convocação de figuras ligadas à atual gestão e ao partido do presidente.

“A comissão teve um papel relevante. Foram muitos os obstáculos, mas muita coisa foi feita: 51 reuniões, 14 prisões, 43 quebras de sigilo e quase R$ 3 bilhões bloqueados na Justiça. É dinheiro do aposentado que foi roubado. As fraudes quase triplicaram no governo Lula. Descobrimos ligações com parentes de altas autoridades e operações de fintechs além do Banco Master, mas nós precisávamos ir mais fundo. Então, acho que ela cumpriu o seu papel, não de maneira completa, como era necessário, mas cumpriu um papel muito importante”, avaliou.

A senadora destacou ainda que os dados coletados durante os meses de trabalho indicam uma curva de crescimento nas atividades ilícitas dentro do órgão previdenciário.

“Ficou claro, a gente tem gráficos que quase que triplicaram as fraudes durante esse governo. As investigações tinham que se aprofundar um pouco mais e punir, doa quem doer, todos aqueles que fraudaram o INSS dessa maneira tão, enfim, que deixa a todos os brasileiros perplexos”, declarou.

Perspectivas para o encerramento

Mesmo integrando a minoria diante da oposição dentro do colegiado, Tereza Cristina reforçou que a leitura do relatório oficial servirá como um registro histórico e institucional das denúncias apuradas.

“Eu acho que se o relatório, enfim, ficar pronto e for lido, mesmo que ele não seja aprovado, porque nós somos minoria na comissão, o relatório deixará registrado os fatos e os acontecimentos dessa fraude”, concluiu.


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